Desenvolvimento Humano

Desenvolvimento humano e qualidade de vida

Alcançar um desenvolvimento humano satisfatório à população implica em um povo mais feliz e realizado.

Por outro lado, somente o crescimento econômico de uma sociedade não se reflete, automaticamente, na sua melhor qualidade de vida.

Muitas vezes, o que se observa é o oposto disso: o reforço das desigualdades.

Qual o caminho, então?

Onde desenvolvimento humano e qualidade de vida se cruzam?

É preciso que uma possível ascensão seja transformada em conquistas concretas para as pessoas.

Entre elas, podemos citar:

  • Crianças mais saudáveis
  • Educação universal e de qualidade
  • Ampliação da participação política dos cidadãos
  • Preservação ambiental
  • Equilíbrio da renda e das oportunidades entre todos os indivíduos
  • Maior liberdade de expressão.

Assim, ao colocar as pessoas no centro da análise do bem-estar, a abordagem do desenvolvimento humano redefine a maneira como se é pensado e como se lida com o crescimento – internacional, nacional e localmente.

Diferenças entre os conceitos

Apesar de serem tratados basicamente como sinônimos, os conceitos de desenvolvimento humano e de qualidade de vida têm suas peculiaridades – a começar por suas definições.

Enquanto o primeiro foi cunhado em 1990 – como veremos mais à frente -, o segundo foi criado pelo economista J.K. Galbraith bem antes disso, em 1958.

Na ocasião, ele buscava veicular uma visão diferente das prioridades e efeitos dos objetivos econômicos de tipo quantitativo.

Segundo Galbraith, as metas político-econômicas e sociais deveriam focar na melhoria em termos qualitativos das condições de vida dos homens.

Isso só seria possível através do desenvolvimento da infraestrutura social, ligado à diminuição da desigualdade e à defesa e conservação do meio ambiente, por exemplo.

Outra diferença fundamental está na forma como eles são medidos através de seus indicadores.

A qualidade de vida é determinada a partir de um questionário elaborado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O documento leva em conta as especificidades dos grupos sociais de diferentes países e culturas.

As perguntas são compostas por seis domínios centrais: o físico, o psicológico, o do nível de independência, o das relações sociais, o do meio ambiente e o dos aspectos religiosos.

Já o desenvolvimento humano, como será mostrado no próximo tópico, é medido pelo IDH.

Já ouviu falar dele, não é?

Para que serve o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)?

Com o objetivo de trazer maior materialidade à medição do desenvolvimento humano, foi criado um indicador.

Apresentado em 1990 junto com o conceito de desenvolvimento humano, no primeiro Relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o IDH foi idealizado pelo economista paquistanês Mahbub ul Haq, com a colaboração do economista Amartya Sen.

O índice passou a ser adotado como medida do grau de desenvolvimento humano de um país, em alternativa ao Produto Interno Bruto (PIB) – hegemônico até aquele período.

Mais simples, de fácil compreensão e, ao mesmo tempo, mais abrangente, o IDH foi aos poucos ganhando adeptos e, com eles, repercussão mundial.

O medidor reúne três dos requisitos mais importantes para a expansão das liberdades das pessoas: saúde, educação e renda. Mais à frente, você verá com mais detalhes esses três requisitos.

Apesar de amplificar a maneira de aferir o desenvolvimento humano, vale um alerta: o IDH não mede a representação da felicidade das pessoas, como seria de se supor.

Tampouco indica o melhor lugar no mundo para se viver.

Democracia, participação, equidade e sustentabilidade são alguns dos muitos aspectos que não são contemplados na mensuração do índice.

Quais são as três dimensões do IDH?

Como vimos anteriormente, o IDH reúne três requisitos básicos. Veja a seguir, de forma mais detalhada, cada uma de suas dimensões:

1. Saúde

Ter uma vida longa e saudável é peça chave para que seja plena.

A promoção do desenvolvimento humano requer que sejam ampliadas as oportunidades que as pessoas têm de evitar a morte prematura, elevando a expectativa de vida.

Mas mais do que isso, é preciso que seja garantido um ambiente saudável, com acesso à saúde de qualidade, tanto física quanto mental.

2. Educação

Um dos pontos fundamentais desse item é manter taxas baixas de analfabetismo e promover o desenvolvimento da capacidade de interpretação de texto, além da resolução de problemas simples de matemática.

O acesso ao conhecimento é um determinante crítico para o bem-estar e é essencial para o exercício das liberdades individuais, da autonomia e da autoestima.

Afinal, como esperar que uma pessoa possa buscar o melhor para o seu futuro sem ter o domínio de informações básicas?

E como viver com qualidade em condições de inferioridade?

Educação constrói confiança, confere dignidade, amplia os horizontes e as perspectivas de vida.

3. Renda

A renda é essencial para que as pessoas tenham acesso a necessidades básicas, tais como água, comida e moradia.

Mas também para que possam ir além, rumo a uma vida de escolhas genuínas e exercício de liberdades.

Ela também é o meio para uma série de fins, lembrando que a sua ausência pode limitar as oportunidades de vida.

Ranking do IDH

A partir de levantamentos que consideram justamente os três quesitos que acabamos de detalhar, o IDH monta o seu ranking global.

Quanto mais perto de 1 estiver o valor do país, maior será o seu índice de desenvolvimento humano.

No último relatório, divulgado em 2017, a Noruega (0,949) foi a primeira colocada do indicador.

Completam o top 10 outros cinco países da Europa (Suíça, Dinamarca, Holanda, Alemanha e Irlanda), dois da Oceania (Austrália e Nova Zelândia), um da Ásia (Cingapura) e dois da América do Norte (Estados Unidos e Canadá) – estes últimos empatados em 10º lugar

O primeiro país da América do Sul a aparecer no índice é o Chile (0,847), em 38º lugar.

Eles são seguidos pela Argentina, que ocupa a 45ª posição (0,827) e pelo Uruguai, na 54ª (0,795).

O próximo sul-americano da lista é a Venezuela, que ficou em 71º lugar (0,767)

Não está sentindo falta de alguém?

Sim, o Brasil. A sua posição é a de número 79, com 0,754 de valor agregado. Na confortável, portanto.

Fora dos 50 melhores, o desenvolvimento humano por aqui é considerado de nível médio.

O que é a psicologia do desenvolvimento humano?

Saindo um pouco do âmbito da geografia humana e deixando de lado os conceitos aprendidos na escola e relembrados aqui, vamos continuar falando de desenvolvimento humano.

Mas, agora, sob a ótica de outra ciência: a psicologia.

A psicologia do desenvolvimento humano é uma área de conhecimento que tem por objetivo analisar e compreender como os processos físicos e psicológicos se desenvolvem em cada etapa do crescimento humano.

A melhoria física, cognitiva, social, afetiva e psicológica tem princípio na concepção e fecundação do óvulo e continua durante todas as fases da vida de um indivíduo.

O fim só acontece com a chegada da morte.

Por isso, para que se considere o desenvolvimento de uma pessoa, é imprescindível integrar várias áreas de conhecimento.

Entre elas, educação, biologia, sociologia, antropologia e medicina.

Juntas, podem dar um diagnóstico comportamental sobre ela.

Origem

A psicologia do desenvolvimento humano foi proposta pelo suíço Jean Piaget.

Nascido em 1896, ele se interessou desde muito cedo por história natural, filosofia, mente humana, religião e outros diversos assuntos relacionados ao nosso tema central.

Mas foi a partir de uma observação cotidiana que Piaget começou a estudar mais a fundo o assunto.

Ao prestar atenção em suas filhas e em outras crianças, constatou que elas não se comportavam e raciocinavam como os adultos.

Isso o instigou e fez com que ele começasse a estudar as mudanças de comportamento de uma pessoa ao longo de sua vida e as diferentes fases pelas quais ela passa.

Foi então que o psicólogo passou a caracterizar atitudes a partir de faixas etárias.

Vamos avançar no assunto no próximo tópico.

Fases do desenvolvimento humano

Segundo Piaget, as mudanças estão relacionadas à formação da identidade de um indivíduo, ao seu entendimento, habilidades físicas e intelectuais, percepção de conceitos, desenvolvimento dos aspectos emocionais e sociais, entre outros.

Para ele, essas mudanças são adquiridas em determinadas fases da vida e as alterações são divididas em quatro estágios do desenvolvimento humano.

Vamos a eles:

Período Sensório-Motor (0 a 2 anos)

A criança adquire controle motor, percepção das coisas, cria laços afetivos e começa a demonstrar os primeiros movimentos e reflexos.

Por se tratar de um estágio anterior à linguagem, ela ainda controla suas ações somente por meio de informações sensoriais.

Período Pré-Operatório (2 a 7 anos)

Além de aprimorar os comportamentos anteriores, a criança começa a usar a linguagem, os símbolos e desenvolve a fala e habilidades físicas.

No entanto, ela ainda não é capaz de realizar operações concretas.

Percepções como se colocar no lugar do outro e ter empatia não surgiram e, por conta disso, o egocentrismo infantil é predominante.

Período das Operações Concretas (7 a 12)

Ocorre o aprimoramento das habilidades anteriores e também o desenvolvimento da capacidade de raciocinar e de decidir algumas questões mais simples.

Fase marcada pelo aprimoramento do pensamento. Ou seja, a criança começa a raciocinar de forma lógica, a solucionar problemas e a dominar tempo e números.

Período das Operações Formais (12 anos em diante)

A última fase. Nela, capacidades e competências estão totalmente desenvolvidas.

Nesse período, a pessoa consegue dominar o pensamento lógico, agregar valores morais a sua conduta, além de iniciar a transição do pensamento para o modo adulto e tomar decisões mais complexas.

4 Fatores que influenciam o desenvolvimento humano

Piaget considera que todas as mudanças descritas no tópico anterior, ocorridas durante cada uma das fases, acontecem em função de quatro aspectos básicos.

Confira cada um deles:

Fator hereditário

A carga genética, aquilo que herdamos dos nossos pais, é o que define o potencial que teremos.

Entretanto, ele pode ou não ser desenvolvido – tudo depende dos estímulos recebidos do ambiente ao longo da vida.

Crescimento orgânico

Diz respeito ao aspecto físico da pessoa.

A partir do momento em que o indivíduo atinge a estabilização corporal e hormonal, ele consegue desenvolver novos comportamentos e ações que antes não eram possíveis.

Maturação neurofisiológica

Quando a pessoa desenvolve padrões de comportamentos de acordo com as funções cognitivas adquiridas e seu desenvolvimento neurológico.

É a partir do surgimento desse fator, inclusive, que o indivíduo abandona de forma gradativa o egocentrismo.

Ambiente

Sabe aquele ditado: o homem nasce bom, mas o meio o corrompe? É mais ou menos isso.

O comportamento do ser humano se modifica e é incentivado, seja de forma negativa ou positiva, de acordo com os estímulos que ele recebe do ambiente em que ele vive e frequenta.

Esse processo está ligado à linha cronológica.

Ou seja, quando somos crianças, passamos pelo processo de aprendizagem, como a percepção do mundo ao redor, cores, fala, as características físicas e preceitos básicos.

Já quando adolescentes, conseguimos refletir e decidir algumas coisas por conta própria.

Ao nos tornarmos jovens e adultos, estamos totalmente desenvolvidos.

Aqui, todas aquelas crenças, valores e comportamentos, acumulados ao longo da vida, são utilizados para nortear as atitudes.

Fonte: IBGE/ SBCoaching e CFP.

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